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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Nosso fiel e companheiro guarda-roupa


    Cena do filme: "The Lion, The Witch and the Wardrobe" (O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa). Romance do escritor irlandês C.S. Lewis. Direção: Andrew Adamson - 2005 / EE.UU.A

Por Leo Tabosa

Segundo o Aurélio guarda-roupa é um mobiliário, armário, embutido ou na forma de móvel destinado a acondicionar roupas.

Ele sempre foi um objeto imprescindível nas sociedades organizadas. Nossas avós usaram baús, cômodas, malas e até caixas para guardarem suas vestimentas. Hoje existem modelos e tamanhos adaptados para atender as necessidades de um mercado consumidor cada vez mais exigente. Desde o mais luxuoso com design moderno e arrojado aos mais simples.

O que muita gente não imagina é que ele é mais que um espaço para se guardar roupas. É amigo fiel, e nele podemos confiar nossos segredos. Deixamos sob os seus cuidados, por baixo das camisas, nossas primeiras revistinhas de sacanagem, nossos cigarros escondidos dentro das meias, cartas e bilhetes de amor; provas de uma traição e quem sabe escondemos até uma pessoa, ou ocultamos um cadáver.

Ele, às vezes, é chato, quando somos obrigados a arrumá-lo. Mas, garanto que é melhor às nossas mãos do que às dos nossos pais, cônjuges ou filhos.

É no guarda-roupa que encontramos a roupa certa para uma entrevista de emprego, para comer num restaurante, ir ao um casamento, impressionar alguém ou simplesmente fazer compras no supermercado. Nele deixamos aquela cueca erótica que não mostramos aos nossos pais, mas com certeza um dia iremos surpreender alguém com ela.

Assume função de cofre onde depositamos o que é valioso e importante para gente: passaporte, dinheiro, documentos, fotos, lexotan, livros e até chocolate quando não queremos dividir com outra pessoa.

E lá onde guardamos um pouco da nossa personalidade, dos nossos traumas e das nossas manias.

As roupas estão impregnada de odores. O cigarro da boate, o sabonete barato do motel, o perfume de quem nós beijamos, o cheiro da "marijuana" que fumamos ou a cerveja que bebemos. Elas também estão manchadas de gorduras que denunciam nossa gula e o tipo de alimentação que ingerimos.

Estão gastas pelo uso, pelo tempo e pelas mudanças escandalosas do nosso corpo. Aponta o quanto somos materialistas, quando guardamos roupas que não usamos mais.

É no guarda-roupa que as crianças encontram abrigo nas brincadeiras de esconde-esconde, embora quando chega a noite o esconderijo se transforma na morada do bicho papão. Até hoje não consigo dormir com a porta do guarda-roupa aberta.

É o primeiro local que procuramos, quando queremos descobrir algo de alguém, ou simplesmente xeretar nas coisas alheias. Nesse momento, de fiel, pode passar a delator se não estiver bem trancado. Aconselho trancas, cadeados, cães de guarda, vigilância 24 horas e segredos nas fechaduras. Um guarda-roupa pode revelar nossos mais íntimos segredos, nos delatar, destruir casamentos, mandar alguém para cadeia e causar desentendimentos numa família aparentemente equilibrada.

O giz, o cravo-da-índia e o sachê de cheiro são guerreiros que vivem dentro do guarda-roupa, travando batalhas contras as traças, o mofo e os odores trazidos da rua.

Descubro uma camisa que completará 10 anos em janeiro e outra ainda mais velha que usava quando adolescente. Percebo que já é hora de mudanças.

Enfim, nossa relação com o guarda-roupa é muito íntima e dependente, não conseguimos viver sem ele. Continuará sendo usado por gerações e gerações, guardando ou revelando segredos e parte da nossa história.

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